#nemmaisuma - vamos fazer justiça

Cerca de 1200 mulheres foram vitimas de violência sexual em 2019 (dados APAV). Eu faço parte desses números. Em janeiro de 2019 fui vitima de uma tentativa de violação enquanto dormia na residência de estudantes onde morava. Quase 3 anos depois, vejo-me agora a caminho dos tribunais com o meu agressor, um integrante das patentes altas da marinha portuguesa. Será uma missão difícil, conseguir a condenação dele, mas não irei baixar os braços e, para isso, preciso da tua ajuda. Vi-me obrigada a dispensar o meu advogado do estado e a contratar um advogado privado que me custará aproximadamente 5500€ ao longo do processo.

Antes de contribuíres, gostava que conhecesses um pouco da minha história.

À data da tentativa de violação, eu vivia numa residência de estudantes em Lisboa e estava em época de exames, no segundo ano da licenciatura em jornalismo.Logo após o ocorrido saí de Lisboa e isolei-me em casa dos meus pais, por um período de cerca de 1 mês. Nesse mês tive de parar toda a minha vida, pois não estava em condições de ficar sozinha.

Durante vários dias não consegui ficar sozinha em nenhum momento, dormia muito pouco, mesmo tendo recorrido a comprimidos. Tinha de dormir de luz acesa, verificar se as portas e as janelas estavam trancadas, de pijama completo e com a roupa da cama presa de ambos os lados do corpo, de forma a conseguir estar quase “presa”. Foi um período muito difícil em que todos os movimentos mais bruscos de alguém me provocavam uma reação. Aqui os ataques de pânico eram recorrentes, mesmo em situações consideradas “normais”.

Após o regresso a lisboa, deparei-me a viver num estado de alerta constante em que eu estava constantemente a controlar todos os movimentos de quem me rodeava, no intuito de perceber se qualquer pessoa seria o individuo. Esta constante necessidade de antever tudo o que se passava ao meu redor refletia-se num desgaste físico enorme e que me impedia de ter energia para a faculdade.

Em agosto de 2020 fui surpreendida com uma partilha em massa do fotograma do individuo nas redes sociais. Centenas de pessoas partilharam o meu maior pesadelo. Para mim foi assustador ter de voltar a ver novamente aquelas imagens. Muitas das partilhas foram feitas por pessoas que me conheciam e que não faziam ideia de que aquela era a minha história. E foi assim que foi possível identificar o agressor.

Felizmente, em setembro recebi um contacto da PJ de Lisboa, que me disse que a pessoa teria sido encontrada e que era necessário que eu fizesse a identificação do mesmo.Mais uma vez, voltei à PJ para o reconhecimento fotográfico e um mês depois para o pessoal, ambos bem-sucedidos, pois é impossível apagar a imagem do individuo em causa da minha cabeça.

Individuo este que penso não ter noção do dano que me causou. Vivo há 2 anos com stress pós-traumático.

Há dois anos sem ter um dia de descanso, em que as duas partes do meu corpo lutam entre si para se manterem vivas uma à outra. Dois anos a viver extremamente limitada pelo medo de que alguém me faça novamente mal, dois anos a reviver quase todos os dias na minha cabeça o meu maior pesadelo.

Não me recordo de grande parte da minha vida desde os meus 15/16 anos até ao dia do crime. Não me lembro de a maioria das coisas que vivi na relação que tinha. Não consigo me recordar de nenhuma dessas memórias, porque o meu subconsciente as bloqueou, por não ter força suficiente para lidar com elas. Mais duro do que lidar com o que sou e o que me tornei, é lidar com o que eu era e não conseguirei voltar a ser.

Tinha 19 anos quando deliberadamente este individuo entrou no meu quarto e me submeteu às suas vontades sem sequer pensar nas minhas. Um individuo que por vontade própria destruiu a minha vida, as minhas ambições, sem sequer me dar opção de escolha. Um individuo que em plena consciência dos seus atos me tirou o meu futuro e a minha felicidade.

Passaram dois anos. Dois anos em que a minha vida foi condicionada pelo medo de que algo volte a acontecer, de que ele volte a tentar concluir o que começou. Dois anos a olhar para todos os lados na rua com medo de estar a ser seguida. Dois anos em que a balança está completamente desequilibrada. Em que o meu lado tem todo o peso dos atos que não foram cometidos por mim.

Dois anos privada do meu verdadeiro eu, que possivelmente nunca voltará. Dois anos condicionada por gatilhos constantes, por ataques de pânico e de ansiedade. Dois anos de uma vida em constante alerta e com medo de que qualquer pessoa me volte a tentar violar.

São inúmeras as consequências que tenho até hoje fruto das atitudes de outrem. São consequências que muitas delas me vão acompanhar até ao fim da minha vida, que não existem formas de resolver, apesar da terapia. Contudo, conseguir que o meu agressor seja condenado pelo que fez, seria um grande passo. Não só para mim, mas para todas as mulheres que sofrem nas mãos dos seus agressores, para todas aquelas que não tiveram força para fazer frente aos seus. Agradeço a todos os que, de alguma forma, contribuirão para um melhor desfecho da minha história.

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